segunda-feira, 9 de março de 2009

Baden Power - Tristeza.

Poema de Cora Coralina.

Mulher da Vida, minha Irmã.


De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos, apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.

Mulher da Vida, minha irmã.

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre
por aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas.
Contaminadas,
Escorchadas.
Discriminadas.

Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.

Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria,
da pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.

Um dia, numa cidade longínqua,
essa mulher corria perseguida
pelos homens que a tinham maculado.
Aflita, ouvindo o tropel
dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.

A Justiça estendeu sua destra
poderosa e lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra”.
As pedras caíram e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:

“Ninguém te condenou, mulher... nem eu te condeno”.
A Justiça pesou a falta pelo peso do sacrifício e este excedeu àquela.

Vilipendiada, esmagada.

Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios
detém as urgências brutais do homem
para que na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.

Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis e sem proteção legal,

ela atravessa a vida ultrajada e imprescindível,
pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa nem lhe reconhece direitos nem lhe dá proteção.

E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão, a levante, e diga: minha companheira.

Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.

No dia da Grande Justiça do Grande Juiz.
Serás remida e lavada de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça a vestirá de branco em novo batismo de purificação.

Limpará as máculas de sua vida humilhada e
sacrificada para que a Família Humana possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível da sociedade,
de todos os povos, de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.

Homenagem.



Nossa homenagem à Cabocla Jurema, grande e bela "dama das matas".

Pintura - Miró.

Homenagem à Mulher, no seu dia internacional.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Alcione.




Video gravado no estúdio da TV DIÁRIO em Fortaleza . Especial a Chico Buarque.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Fotografia

Renascida das aragens do amor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Olhando o mar, sonho sem ter de quê

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da florestaParecem,
por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores?
Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes,
se hão-de serMotivos coloridos de morrer?

Mas colhe rosas.
Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa